Retalhos e sobras das lonas automotivas utilizadas pela Keko na produção das capotas marítimas ganharam um novo aproveitamento pelas mãos, talento e arte das mulheres da Cooperativa Uni Arte Costura, de Indaiatuba, no interior de São Paulo. Agora, esses materiais são utilizados na confecção de produtos úteis e que ganham nova vida com a economia circular, como maletas de viagem, estojos e mochilas. As 37 mulheres associadas à cooperativa conseguiram dar um destino socioambiental que gera valor e renda a um resíduo que até então era enviado para reciclagem, porém sem retorno visível do produto final.
A parceria com a cooperativa surgiu por iniciativa da analista de Meio Ambiente da Keko, Mari Ana Chagas Santos, que contatou a Toyota, uma das principais montadoras parceiras da fabricante de acessórios automotivos, para dar um destino mais sustentável ao resíduo das lonas. “Queríamos encontrar uma solução mais inteligente e com impacto social para esse material”, conta a profissional. Na Toyota, ela foi encaminhada ao setor responsável pela economia circular dos resíduos, que apresentou o projeto ReTornar e fornecedores que reaproveitam materiais, incluindo a Cooperativa Uni Arte Costura.
Após tratativas, o contrato foi formalizado no início deste ano. Além das maletas, estojos e fundos de mochilas, a cooperativa já estuda usar as lonas automotivas fornecidas pela Keko para a confecção de outros produtos, como case para notebook e nécessaire. Um cliente também solicitou um porta-tênis para o Dia dos Pais. Além disso, o departamento de marketing da Keko também encomendou brindes exclusivos produzidos com as lonas reaproveitadas.

A Cooperativa Uni Arte Costura e o Projeto ReTornar
A Cooperativa Uni Arte Costura, localizada em Indaiatuba, São Paulo, existe há 16 anos e emprega 37 mulheres de todas as idades, sendo 11 na sede e o restante trabalhando em casa. A iniciativa foca na geração de trabalho e renda para mulheres que não conseguem trabalhar no mercado formal, reutilizando materiais como uniformes, cintos de segurança, tecidos automotivos, airbags, banners e agora lonas da Keko.
A diretora-presidente Judite Fernanda Simionato, cooperada desde 2005, explica que o formato é de cooperativa de produção com todas as integrantes atuando como sócias e tomando decisões em conjunto através de assembleias. “O modelo permite que mulheres que se sentiam desvalorizadas em casa ganhem reconhecimento e independência financeira, não precisando pedir dinheiro aos companheiros.”
Ela reforça que a cooperativa é autossustentável, pagando todas as despesas e distribuindo recursos às cooperadas através da venda de produtos de qualidade. “Clientes não compram produtos de reutilização por pena, mas pela qualidade, e muitos são recorrentes, voltando a comprar após um ou dois anos”, afirma.
As vendas dos itens normalmente são B2B, diretamente para empresas, e o controle da produção e da oferta aos clientes é baseado na disponibilidade de matéria-prima. A cooperativa já forneceu, por exemplo, mais de mil maletas para as Paralimpíadas, feitas com a reutilização de airbags que, após desmanchados e aplicada sublimação, tornam-se muito resistentes e laváveis. A participação em eventos como a Brazil Promotion também ajuda a promover divulgação e vendas.
O projeto ReTornar nasceu em 2011 pensando na transformação das pessoas e dos resíduos, com a crença de que não existe o conceito de lixo na natureza, tudo é reaproveitado em ciclos inteligentes e naturais. Logo em seguida veio a parceria com a Toyota do Brasil, inicialmente com a reutilização de uniformes. Hoje, a montadora e diversas empresas doam resíduos e compram os produtos confeccionados pelos grupos de costura, e a Fundação Toyota do Brasil investe na qualificação e divulgação do trabalho das costureiras, sendo que a cooperativa passou pelo Toyota Production System (TPS), sistema de resolução de problemas da montadora.
Conheça mais sobre a iniciativa em www.projetoretornar.com.br


